Novo transmissor do vírus Zika intensifica o controle fitossanitário em portos e aeroportos

Após a epidemia registrada no Brasil, empresas brasileiras que realizam o controle fitossanitário em embarcações, containers, portos e aeroportos – por meio de fumigação e de HT (tratamento a calor), estão emitindo o certificado “Zika Free”. O surto tem preocupado países, como a China, em manter longe o vírus Zika, transmitido pelo Aedes aegypti.

O que tem sido feito, além da fumigação da carga ou do tratamento a calor, é uma dedetização completa dos containers e dos ambientes das embarcações onde circula a tripulação. O objetivo é, portanto, eliminar possíveis focos, larvas ou mosquitos Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika.

Essa iniciativa é ainda mais relevante diante do alerta emitido pela pesquisadora Constância Lopes, da Fiocruz (Recife-PE): aumentaram as evidências de que pernilongos ‘comuns’ também podem transmitir o vírus Zika.

O mosquito Culex quinquefasciatus, conhecido popularmente por pernilongo ou muriçoca, é o possível novo transmissor da doença, com grande participação no recente surto registrado no Brasil.

“Em ambientes silvestres várias espécies de Aedes estão implicadas no processo de transmissão. Por que em ambientes urbanos somente uma espécie estaria envolvida?”

questionou a pesquisadora.

No início da emergência no Brasil, a pesquisadora decidiu investigar se o Culex quinquefasciatus também poderia transmitir o vírus. Concluiu-se que o mosquito é 20% mais abundante do que o Aedes aegypti no ambiente urbano e é vetor de outros arbovírus (transmitidos essencialmente por artrópodes), como o do Oeste do Nilo e da encefalite japonesa, que são próximos do vírus Zika.

Desde 1947, pesquisadores isolaram o vírus e o relacionaram a outros mosquitos da espécie Aedes, como por exemplo o africanus. Em 2007, na Micronésia, cerca de 70% da população local da ilha de Yap foi infectada por Zika, porém não foi encontrado nenhum pool de  Aedes aegypti na região. “Na verdade, há pouquíssimos mosquitos Aedes aegypti na Micronésia. Há outras espécies de Aedes na região, mas o Aedes aegypti é muito raro na maioria das ilhas e completamente ausente nas ilhas onde houve uma grande ocorrência de casos de infecção pelo Zika vírus”, explica Constância. Foi descoberto, então, que o mosquito em maior quantidade naquela região do Pacífico é o Culex quinquefasciatus – até então, nunca investigado como vetor do Zika.

Além disso, publicações científicas começaram a chamar a atenção da comunidade e da OMS (Organização Mundial da Saúde) sobre a necessidade de investigar a possibilidade de o vírus ser transmitido por outros vetores, além do  Aedes aegypti – diante do número alarmante de casos no Brasil e em diversos países, além dos casos de microcefalia em recém-nascidos, diretamente ligados à doença.

“Até então, infelizmente, a comunidade científica e a OMS estavam focando só o Aedes aegypti e todo o combate ao vírus Zika foi voltado exclusivamente para essa espécie de mosquito, negligenciando uma série de outras, como o Culex quinquefasciatus”

afirma a pesquisadora.

Os resultados dos ensaios realizados em laboratórios com Culex quinquefasciatus e Aedes aegypti  apontam que o desempenho do vírus nas duas espécies é muito semelhante. Os pesquisadores conseguiram observar a presença do Zika na glândula salivar dos mosquitos Culex quinquefasciatus e Aedes aegypti três dias após infectados.

Esse alerta, se confirmado, indica mudanças na forma de controle da doença, que hoje está focado apenas no  Aedes aegypti. Os hábitos do Aedes aegypti são diferentes dos do Culex quinquefasciatus. Enquanto o Aedes aegypti pica durante o dia, o Culex quinquefasciatus pica durante a noite. Isso deve provocar uma mudança de hábito das pessoas – especialmente as grávidas – que estão tomando medidas de proteção contra a picada, como o uso de repelentes, somente durante o dia. Além disso, enquanto o Aedes aegypti tem preferência por colocar ovos em água parada, de chuva, o Culex quinquefasciatus gosta de colocar seus ovos em água extremamente poluída, como a de esgoto e de fossa. Isso vai demandar por ainda mais melhorias das condições de saneamento no país.

Por outro lado, enquanto a fêmea do Aedes aegypti prefere depositar seus ovos de forma distribuída para garantir que sua prole tenha maiores chances de sobrevivência, a fêmea do mosquito Culex quinquefasciatus deposita seus ovos em um único lugar. Assim, os criadouros são mais concentrados, o que facilita o controle.

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