Pesquisa da UFSCar usou gel a base de celulose misturado à água usada na diluição do agroquímico

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), câmpus de Sorocaba, revela que o uso de gel a base de celulose pode ser alternativa para reduzir a contaminação de pessoas e do ambiente durante a pulverização de lavouras com defensivos agrícolas. O gel mais comum, de acetato de celulose, misturado à água usada na diluição do agroquímico, absorve o princípio ativo e libera aos poucos a substância potencialmente tóxica, amenizando o impacto no solo e na água.

Herbicidas, largamente usados na agricultura brasileira, são considerados cancerígenos.

Géis sintetizados, O estudo foi realizado como dissertação de mestrado do programa de pós-graduação em Ciência dos Materiais pela pesquisadora Patrícia Allue Dantas, sob orientação de Vagner Roberto Botaro, professor do Departamento de Física, Química e Matemática (DFQM) da universidade. A tese foi defendida no dia 16.

No trabalho foram avaliados géis sintetizados que se mostraram ótimos materiais para encapsulamento do tipo de herbicida mais utilizado. Após a síntese, os géis podem ser empregados em sistemas de liberação controlada para alguns medicamentos e também para encapsular herbicidas, pois atualmente são utilizados polímeros naturais como semiembalagem, como o plástico solúvel em água que é constituído de amido.

Aplicações. De acordo com o professor Botaro, as microesferas dos géis avaliados no estudo absorvem o herbicida e o liberam de forma controlada, com intervalos de tempo, em sistemas aquosos. Ele considerou que os resultados são promissores e estimulam o estudo de futuras aplicações em campo.

“A pesquisa de aplicação em campo ainda deverá ser realizada. Os resultados são muito recentes e a partir de 2012 é que deveremos investir nessa aplicação”, disse.

O mercado de defensivos agrícolas no Brasil, em 2009, movimentou cerca de R$ 12,9 bilhões e está em crescente expansão.

O grande problema na aplicação dos herbicidas é que, na maioria das vezes, a aplicação é feita de maneira direta sobre o solo, folhas ou raízes das plantas. Não são raras as contaminações de lençóis freáticos resultantes dessa prática.

Fonte: www.estadao.com.br – 22 de dezembro de 2011

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